Realizar uma seleção de dez artistas dentre os 456 inscritos, de 21 estados brasileiros e o Distrito Federal, com tantos portfólios e projetos qualificados, é uma tarefa complexa e que envolve escolhas difíceis. O júri, composto pelos membros Amanda Carneiro, Arthur Chaves, Dora Longo Bahia, Elilson e Theo Monteiro, levou em consideração a missão do Prêmio de revelar, a partir das inscrições, um retrato – ainda que parcial – da produção artística jovem brasileira. O Brasil é um país de dimensão continental, marcado por diferenças e particularidades culturais, mas também por uma imensa desigualdade social, racial, de gênero e sexualidade, visível no próprio campo da arte. Esta disparidade, que impacta a inserção de muitos artistas emergentes, foi considerada pelos jurados na seleção. Igualmente, foram observadas as questões que permeiam a pesquisa dos artistas e seus respectivos desdobramentos e realização formal, tanto em termos de linguagem quanto de materialidade; a qualidade e a consistência das pesquisas e projetos dos artistas; os temas e a proposição para a exposição, tendo em vista suas características experimentais e questionadoras; e como as produções podem iluminar questões para o circuito de arte e para a sociedade nos dias atuais. Tendo esses critérios como parâmetro, o júri, que, sublinhe-se, também é marcado por uma diversidade de perspectivas e atuação, buscou, sempre que possível, por escolhas consensuais, todas cuidadosamente debatidas. Mas, como em todo processo de seleção, sobretudo neste que foi realizado com tantos inscritos para tão poucos selecionados, muitos artistas não poderão fazer parte da exposição, o que não significa, contudo, que seus trabalhos não sejam bons ou relevantes. A seleção aqui realizada apresenta artistas que dialogaram com os princípios estabelecidos para esta edição e aponta para a diversidade da produção artística presente nas cincos regiões que formam o Brasil.

Prêmio EDP nas Artes

 


crédito: Arivanio Alves

Arivanio Alves

Quixelô, CE

Artista que ilustra bem o gênero que muitos chamam de naif, parte de situações do seu cotidiano mental para construir uma obra visual que é uma interpretação de mundo. Tem na simplicidade a sua principal característica, ao articular temas, cores, formas e ao trazer elementos biográficos e memórias afetivas que erguem um castelo mental muito próprio. Há ali um cronista, no sentido de viver cada instante com grande poder de observação, e uma ingenuidade, que permite viver cada experiência como nova e única.

 


crédito: Davi de Jesus do Nascimento

Davi de Jesus do Nascimento

Pirapora, MG

Sou barranqueiro curimatá, arrimo de muvuca e escritor fiado. Gerado às margens do Rio São Francisco – curso d’água de minha vida e pesquisa – trabalho coletando afetos da ancestralidade ribeirinha e percebendo “quase-rios’’, no árido. Fui criado dentro do emboloso da cumbuca de carranqueiros, pescadores e lavadeiras. O peso de carregar o rio nas costas bebe da nascente dos primeiros sóis que chorei na vida.

 


crédito: Matheus Belém

Emerson Munduruku – Uyra Sodoma

indígena residente em Manaus, AM

Artivista visual indígena. Com afeto radical pela Vida, vira uma Árvore que anda. Formou-se bióloga, mestre em Ecologia e é Arte educador de jovens ribeirinhos e indígenas no Amazonas. Em foto-performances, encarna Uýra Sodoma, sua presença de bicho e planta, em denúncia às violências aos sistemas vivos e em anúncio de histórias de Vida e encantaria que moram na paisagem cidade-floresta.

 


crédito: Érica Storer de Araújo

Érica Storer de Araújo

Curitiba, PR

Graduada em Artes Visuais – UFPR, em 2017. Sua investigação caminha entre as relações da performance e produtividade. Participou da Programação de Performances da Bienal de Curitiba (2018), da Venice International Performance Art Week, na Itália, e da residência artística no ISBA/Besançon na França, ambos em 2020. Integra o coletivo Brutas desde 2016.

 


crédito: Felipe Rezende

Felipe Rezende

Salvador, BA

Formado em Artes Plásticas pela Universidade Federal da Bahia. Trabalha sobretudo com o desenho e suas possibilidades expansivas, constituindo um encontro com o cotidiano e elementos nele contidos. O labor e as deambulações, o entorno e seus restos, as pequenas histórias e os casos de dimensão pública servem de material para construção de narrativas visuais num liame entre ficção e realidade.

 


crédito: Nina Quintana

Gu da Cei

Ceilândia, DF

Bacharel em Comunicação Social e desenvolve o seu trabalho artístico no âmbito da intervenção urbana, performance e vídeo, além de buscar compreender as possibilidades dialógicas entre processos históricos e contemporâneos da fotografia, bem como seus espaços de exibição e circulação. Integra e coordena o Festival Foto de Quebrada.

 


crédito: Nutyelly Cena

Hariel Revignet

Goiânia, GO

Brasileira/gabonesa graduada em arquitetura e urbanismo pela UFG, artista visual e performer. Realiza pesquisas artísticas autobiogeográficas
a partir do feminismo negro com o foco decolonial afro-diaspórico-ameríndio. Criadora do conceito AXÉTETURA, que manifesta intersecções entre o social, político, ancestral e arte onírica. Perpassa pintura,poesia,colagens, auto-registros, performances, como formas de construir tempos-espaços para cura de corpos astrais.

 


crédito: Luana Vitra

Luana Vitra

Contagem, MG

Artista plástica, dançarina e performer. Cresceu em Contagem, cidade industrial que fez seu corpo experimentar o ferro e a fuligem. Gestada entre a marcenaria (pai) e a palavra (mãe), se movimenta como reza em busca da sobrevivência e da cura das paisagens que habita. Entende o próprio corpo como armadilha, e sua ação como micropolítica na lida com a materialidade que seu trabalho evoca.

 


crédito: Paulo Rezende

Talles Lopes

Anápolis, GO

Artista e graduando em arquitetura e urbanismo pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), participou de mostras em espaços como Sesc, MAC Goiás, Centro Cultural São Paulo e Museu de Arte de Ribeirão Preto. Mais recentemente apresentou projetos na Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo e na mostra VAIVÉM, no Centro Cultural Banco do Brasil.

 


crédito: Yná Kabe Rodríguez

Yná Kabe Rodríguez

Brasília, DF

28 anos, travesti do Recanto das Emas-DF. Se formou em bacharelado em artes visuais pela Universidade de Brasília onde também ingressou na pós-graduação em artes visuais (PPG-AV) na linha de pesquisa Métodos e Processos em Arte Contemporânea, trabalha e sobrevive como Artista-Babá-Curadora-Pesquisadora e mãe na Casa de Olfenza.

 


 

Menção honrosa – premiado com bolsa para integrar o Grupo de Estudos em Arte Contemporânea da Escola Entrópica do Instituto Tomie Ohtake
Ziel Karapotó